quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

Iraque: guerra encerra com milhares de mortos e custo de US$ 802 bi

O comandante das tropas americanas no Iraque guarda a bandeira dos Estados Unidos durante cerimônia em Bagdá nesta quinta-feira
Foto: AFP

O governo dos Estados Unidos anunciou nesta quinta-feira o encerramento formal da Guerra do Iraque, com a retirada dos últimos soldados do país e o final das operações que duraram quase nove anos, custaram bilhões de dólares e milhares de vidas.
Agora, caberá aos líderes iraquianos garantir a segurança e a reconstrução em um país devastado.
Quase todos os números relacionados com a guerra são questionados, sendo que o número de mortes entre os iraquianos é o mais questionado de todos. Abaixo, um resumo de algumas das cifras mais importantes e os argumentos que as cercam.
Número de soldados
Os soldados americanos lideraram a invasão do Iraque em março de 2003, em uma coalizão com a Grã-Bretanha e outros países. Os números de soldados dos Estados Unidos no país variou entre 100 mil e 150 mil, exceto no período da elevação do contingente, em 2007.
A elevação do contingente foi uma iniciativa do ex-presidente George W. Bush para melhorar a segurança no país, principalmente na capital, Bagdá, e envolveu o envio de mais 30 mil soldados.
O presidente Barack Obama fez da retirada do Iraque uma das grandes promessas de sua campanha eleitoral de 2008 e o número de soldados vinha caindo desde que ele assumiu o cargo, em janeiro de 2009.
No dia 19 de agosto de 2010, a última brigada de combate americana saiu do país, deixando para trás 50 mil funcionários militares envolvidos no processo de transição.
Vítimas
Segundo os últimos dados do Departamento Defesa dos Estados Unidos, os americanos perderam 4.487 militares desde o início da operação no Iraque em 19 de março de 2003.
No dia 31 de agosto de 2010, quando os últimos soldados de combate americanos saíram do Iraque, 4.421 tinham morrido, dos quais, 3.492 morreram em ação. Quase 32 mil tinham sido feridos em operações no país.
Desde então, no que foi chamado Operação Novo Amanhecer, 66 morreram, dos quais 38 em ação. Outros 305 foram feridos em ação desde 1º de setembro de 2010.
A Grã-Bretanha perdeu 179 militares. Entre estes, 136 morreram durante operações. Outros países que fizeram parte da coalizão registraram 139 mortes, segundo o site iCasualties.
Mas, enquanto os dados de vítimas entre os militares americanos e dos outros países da coalizão trazem números razoavelmente bem documentados, o número de vítimas entre os civis iraquianos é mais difícil de determinar devido à falta de estatísticas oficiais confiáveis.
Todos os números e estimativas de mortes entre iraquianos são muito questionados. A organização Iraq Body Count (IBC) vem tentando levantar estes números analisando relatos da imprensa e comparando com registros de necrotérios. Segundo o IBC ocorreram entre 97.461 e 106.348 mortes entre os iraquianos até julho de 2010.
O período mais violento em termos de mortes de civis foi o mês da invasão, março de 2003, durante o qual o IBC afirma ter ocorrido a morte de 3.977 civis iraquianos. Outros 3.437 morreram em abril de 2003.
Mas, estes não são os únicos números. Outros relatórios e pesquisas apresentaram uma variedade de estimativas de números de iraquianos mortos. A Pesquisa sobre a Saúde da Família Iraquiana, que contou com o apoio da ONU, estimou que ocorreram 151 mil mortes violentas no período entre março de 2003 e junho de 2006.
Enquanto isto, a revista especializada The Lancet publicou em 2006 uma estimativa de 654.965 mortes entre iraquianos relacionadas à guerra, das quais 601.027 foram causadas por violência. Esta pesquisa da revistaThe Lancet e a Pesquisa sobre a Saúde da Família Iraquiana incluem mortes de combatentes e civis iraquianos.
Um número desconhecido de empreiteiros civis também foram mortos no Iraque. O site iCasualities publicou o que descreve como uma lista parcial que traz o número de 467 mortos.
Custo
O custo da guerra é outra área na qual os números variam muito. O Serviço de Pesquisa do Congresso, um serviço respeitado e apartidário, estima que, no final do ano fiscal de 2011, os Estados Unidos terão gasto quase US$ 802 bilhões para financiar a guerra.
No entanto, o economista vencedor do prêmio Nobel Joseph Stiglitz, e a professora de Harvard Linda Bilmes, afirmam que o custo real chega a US$ 3 trilhões se os impactos adicionais no orçamento e na economia dos Estados Unidos forem levados em conta.
Deslocados pela guerra
A violência sectária do conflito no Iraque começou a aumentar no começo de 2005. Mas a destruição de um importante templo xiita em fevereiro de 2006 levou a um aumento grande dos ataques ocorridos entre milícias sunitas e xiitas. Isto levou muitas famílias iraquianas a abandonar suas casas e se mudar para outras áreas do país ou ainda fugir do Iraque.
A Organização Internacional de Migração (IOM, na sigla em inglês), que monitora o número de famílias que abandonaram suas casas, estima que nos quatro anos entre 2006 e 2010, até 1,6 milhão de iraquianos tiveram que deixar seus domicílios, mas permaneceram no país, o que representa 5,5% da população. Deste total, cerca de 400 mil pessoas voltaram no meio de 2010, primeiramente para Bagdá, Diyala, Ninewa e Anbar, segundo a IOM.

Operação da Polícia Civil contra jogo do bicho tem 44 presos

Cinco pessoas foram presas em flagrante.
Ação ocorre no Rio, Pernambuco, Bahia e Maranhão.


Subiu para 44 o número de presos durante aoperação "Dedo de Deus" realizada pela Polícia Civil e pelo Ministério Público (MP-RJ) para prender suspeitos de envolvimento com o jogo do bicho no Rio e em outros três estados. A informação foi divulgada pela polícia na noite desta quinta-feira (15). Foram cumpridos 39 mandados de prisão; outros cinco suspeitos foram presos em flagrante.
De acordo com a Polícia Civil, dos 44 presos, 36 foram localizados no Rio de Janeiro, um na Bahia, outro no Maranhão e mais um emPernambuco.

Entre os presos, há dois policiais militares e um guarda municipal de Duque de Caxias, na Baixada Fluminense. Um policial civil ainda está foragido, segundo a polícia.
A operação foi iniciada logo cedo, com agentes descendo de rapel do helicóptero da Polícia Civil em uma cobertura que seria de um contraventor, na Avenida Atlântica, em Copacabana, na Zona Sul do Rio. No apartamento triplex, o luxo está por toda parte, com jardins suspensos, piscina e até cascata. O símbolo da escola de samba Beija-Flor decora o azulejo no piso da piscina, além de paredes no interior do apartamento. 
Apreensão de R$ 517 mil 
Os policiais também fizeram uma varredura no barracão da Beija-Flor, na Cidade do Samba, Zona Portuária, onde foram apreendidos R$ 115 mil em espécie. E em Teresópolis, na Região Serrana, as buscas ocorreram num hotel fazenda que seria de propriedade de um ex-prefeito do município, que também foi preso durante a operação. Ele é apontado pela polícia como o responsável por comandar pontos do jogo do bicho na serra fluminense.
Segundo Martha Rocha, no total foram apreendidos R$ 517 mil em espécie, incluindo euros, além de joias, oito veículos, 39 computadores, uma arma, notas fiscais, documentos e máquinas portáteis de cartões de crédito.
A investigação começou em Teresópolis, após denúncias que davam conta de que comerciantes estavam sendo coagidos a implantar jogo do bicho nos seus estabelecimentos legalizados. Segundo as denúncias, policiais civis atuavam na coação desses comerciantes, além de passar informações para os contraventores sobre operações policiais.A Polícia Civil informou também que os contraventores alteravam o resultado das apostas. Quando a quadrilha sabia que muitos apostadores jogariam em um único número fazia com que esse número não fosse sorteado, segundo a polícia.
60 mandados de prisão
De acordo com a Polícia Civil, a corregedoria investigou uma quadrilha de contraventores que atuava em grupos em diversas cidades. Entre os 60 mandados de prisão, Martha Rocha afirma que cinco contraventores são considerados mandantes de pontos do bicho em Teresópolis e Petrópolis, na Região Serrana, Rio de Janeiro, São João de Meriti, Duque de Caxias e Nilópolis, na Baixada.
Segundo o delegado Felipe Vale, da Corregedoria da Polícia Civil, empresas de outros estados foram interditadas por prestar serviços ao jogo do bicho.

“O Rio era a célula da organização. Mas em outros estados funcionavam empresas que forneciam aparato técnico. Na Bahia, uma empresa fornecia máquinas de cartão de crédito adaptadas para o bicho. Os funcionários dessa empresa eram convidados para o camarote da Grande Rio, no carnaval carioca, por exemplo. Em Pernambuco funcionava uma gráfica que vendia talonário para o jogo do bicho”, explicou Vale, acrescentando que o envolvimento de contraventores com o carnaval acarreta na investigação de escolas de samba, como a Beija-Flor e Grande Rio.
A promotora Angélica Glioche afirmou que essa quadrilha movimentava dezenas de milhões de reais por mês. “O jogo do bicho não é um jogo inocente, movimenta milhões de reais por mês. E só se sustenta por conta de crimes mais graves, que são de conhecimento daqueles que fazem parte da quadrilha do bicho. Corrupção ativa e passiva, homicídio e até manipulação do jogo do bicho”, comentou.

Cerca de 1 mil agentes
Cerca de mil homens civis participam da operação, entre policiais civis e agentes do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado  do MP (Gaeco). Ação também acontece em Pernambuco, Bahia e Maranhão. Helicópteros dão apoio aos agentes que cumprem 60 mandados de prisão e pelo menos 120 mandados de busca e apreensão em residências, construtoras, empresas que fabricam artigos eletrônicos, gráficas, fazendas, sítios e  hotéis.
Investigações começaram há um ano
As investigações da Corregedoria da Polícia Civil começaram há um ano. Nesse período, os agentes monitoraram a instalação de máquinas eletrônicas de cartões de crédito no mercado clandestino das apostas. Segundo a polícia, empresas faziam a instalação, manutenção e treinamento dos anotadores do jogo do bicho.
Segundo a polícia, um homem que seria responsável por fornecer e distribuir os talões usados por anotadores do jogo do bicho no Rio foi localizado numa gráfica em Pernambuco. Ele e a dona da gráfica tiveram mandados de prisão expedidos pela Justiça.


Marco Maia revoga manutenção de 300 cargos aprovada pela Câmara

Presidente da Câmara disse que medida foi inserida 'inadvertidamente'.
Preservação dos postos custaria R$ 1,5 milhão por ano no orçamento.


O presidente da Câmara, Marco Maia, assinou nesta quinta-feira (15) ato para revogar a manutenção de 300 cargos de nível médio que deveriam ser extintos da estrutura da Casa. Na quarta, o fim desses postos havia sido derrubado pelos deputados, que aprovaram artigo que também dava amplos poderes à Mesa Diretora para criar, transformar e extinguir cargos, desde que não houvesse "acréscimo de despesas".

O artigo, agora revogado, foi inserido num projeto de resolução que criou outros 66 cargos para o PSD na Câmara. O trecho foi à votação sem comunicação aos líderes partidários. A revogação, segundo informou a assessoria de imprensa de Marco Maia, deve ser publicada ainda nesta quinta em edição extra do Diário Oficial da Câmara.
O artigo tinha por objetivo "resguardar" 300 vagas que seriam extintas com a aposentadoria dos atuais ocupantes, conforme previsão em resolução anterior. Os cargos seriam ocupados após realização de concurso público em 2012, com salários de R$ 5,2 mil para nível médio. O custo para manter esses cargos seria de R$ 1,5 milhão por ano.

Após ser questionado por jornalistas sobre o assunto por volta das 22h de quarta, após a votação da proposta em plenário, o presidente da Câmara, Marco Maia, afirmou que iria revogar o artigo, porque foi "inserido inadvertidamente" no projeto de resolução.

O artigo 4ª do projeto diz o seguinte: "Desde que não acarrete acréscimo de despesas, a Mesa poderá dispor sobre requisitos, atribuições, criação, transformação, extinção e lotação de cargos da Câmara dos Deputados, com vista à racionalização e à modernização administrativa."
O texto substitui trecho de uma resolução de 2006 que previa a extinção gradativa de 865 cargos de nível médio. Deste total, 565 já foram extintos e outros 300 ainda estão ocupados. A proposta aprovada na Câmara suspenderia a progressiva extinção dos 300 cargos.