RIO, SÃO PAULO e BRASÍLIA - Reagindo ao pânico e à queda generalizada nos mercados internacionais, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou nesta quinta-feira com queda 5,72%, aos 52.811 pontos. Foi a pior baixa desde 21 de novembro de 2008, quando o mundo passava pelo momento mais agudo da crise originada no mercado imobiliário americano seguida da quebra do banco americano Lehman Brothers e o Ibovespa caiu 6,45%.
Já o dólar comercial terminou o pregão em alta de 1,15%, cotado a R$ 1,579 na compra e R$ 1,581 na venda, acompanhando a trajetória de valorização da moeda pelo mundo. Na máxima do pregão, a moeda chegou a avançar 1,40%.
O temor espalhou-se pelos mercados mundiais diante dos sinais de que a economia global, com os EUA à frente, recupera-se muito lentamente. Às 12h55, no pior momento do pregão desta quinta-feira, o Ibovespa chegou a 52.628 pontos, queda de 6,05%. No fechamento, entre os 92 principais índices de ações de todo o mundo, acompanhados pela Bloomberg, o Ibovespa foi o segundo pior, perdendo apenas para o Merval, da Bolsa de Buenos Aires, que caiu 6,01%.
Em Nova York o Dow Jones caiu 4,31%, o S&P 500 perdendo 4,78% e o Nasdaq recuou 5,08%. Foi a maior perda percentual desde fevereiro de 2009, segundo o "New York Times". Houve outros 17 dias desde o início de 2008 em que Wall Street terminou em queda de mais de 4% - 13 dias naquele ano e quatro em 2009. Na Europa, os principais índices, de Londres, Paris e Frankfurt, fecharam com queda superior a 3%. Em Milão, na Itália, o principal índice perdeu 5,16%.
Segundo especialistas, os sinais de lentidão da recuperação da economia americana e a crise das dívidas públicas na Europa puxaram também a queda das commodities, prejudicando ações de empresas com grande participação no Ibovespa, como Petrobras e Vale.
Segundo dados preliminares, as ações preferencias (PN, se direito a voto) da Petrobras caíram 7,35%, a R$ 21,99, enquanto as ordinárias (ON, com direito a voto) perderam 7%, a R$ 22,97. Os papéis PN da Vale recuaram 5,38%, a R$ 41,26 e os ON, 5,76%, a R$ 45,10. A maior queda do Ibovespa também está ligada às commodities: os papéis da MMX, mineradora controlada por Eike Batista, caíram R$ 16,07%, a R$ 6,11.
- Por causa do perfil de país emergente, considerado mais arriscado, o Brasil perde mais em dias de fuga generalizada - diz William Castro Alves, analista da XP Investimentos.
Além disso, os mecanismo de stop losses (ordens automáticas para vender ativos quando as perdas atingem níveis elevados), que aceleraram as perdas no pregão de quarta-feira, voltaram a atuar nesta quinta-feira.
Entre as 67 ações listadas no Ibovespa, cinco ativos chegaram a cair mais de 10%. As preferenciais da TAM derreteram 10,01%, a R$ 26,26, no auge das perdas, e só foram superadas pelas quedas das ordinárias da ALL (10,19%, a R$ 9,34), da Duratex (14,19%, a R$ 9,01) e das empresas do bilionário Eike Batista - LLX tombou 14,25%, a R$ 3,43, e MMX despencou 15,11%, a R$ 6,18.
Para o gestor de renda variável da Yield Capital, Hersz Ferman, a queda mais aguda no Ibovespa pode ser explicada também por uma visão negativa do investidor estrangeiro em relação ao Brasil. Outros especialistas, no entanto, acham que o efeito manada falou mais alto.
Assim como na quarta-feira, o pregão desta quinta-feira teve alto volume de negócios, com R$ 9,6 bilhões. Para alguns especialistas, isso pode indicar forte saída de investidores estrangeiros, embora os locais também tenham seguido o movimento.
Ontem, o Ibovespa já havia registrado desvalorização de 2,26%, aos 56.017 pontos, menor patamar desde 3 setembro de 2009.
Dólar volta à cotação de 11 de julho O dólar voltou à cotação de 11 de julho passado, quando o Banco Central (BC) anunciou uma nova redução do limite de posição vendida em câmbio no mercado à vista.
Segundo especialistas, investidores vendem ativos pelo mundo, em meio à turbulência dos mercados nesta quinta-feira, e buscam ativos de maior liquidez pelo mundo, como os títulos da dívida americana. Por isso, a moeda sobe.
O dólar americano também se valoriza frente a moedas dos mais variados países como rand sul-africano (3,29%), coroa sueca ( 2,95%), euro ( 1,39%) e libra esterlina (0,97%). Após o Banco Central da Suíça adotar medidas na última quarta-feira para controlar a valorização do franco, o dólar registra uma desvalorização de 0,38% no país, na contramão dos mercados mundiais.
Por aqui, o BC realizou dois leilões de compra da moeda no mercado à vista, no início e no fim da tarde desta quinta-feira.
LEIA MAIS: Bolsas mundiais perderam US$ 2,6 trilhões em 6 dias
'Pneumonia crônica' A presidente Dilma Rousseff mostrou preocupação com o cenário internacional e avaliou que a situação está se deteriorando.
- A situação agora não é mais de uma gripe, mas de pneumonia crônica - disse ela, segundo relato do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical, que participou nesta quinta-feira de uma reunião no Palácio do Planalto, com a presença da presidente, sobre o plano Brasil Maior, lançado pelo governo na terça-feira para incentivar a industrialização brasileira.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o Brasil sofrerá as consequências da turbulência global, mas está preparado. Ele acrescentou que os mecanismos que o governo adotou em reação à crise de 2008 "poderão ser implantados a qualquer momento" se for necessário:
- Temos que ficar alerta, olhando as consequências. É claro que sempre haverá consequências, mesmo o Brasil estando preparado. Sempre há, por exemplo, queda de bolsa, pode haver queda de comércio, um pouco de queda de crédito, mas o Brasil enfrentará com um mínimo de danos à economia uma nova crise.
O ministro disse não crer em um overshooting (disparada) do dólar:
- Não sabemos qual é a reação do mercado. Porque no passado a gente sabia, era a fuga para a segurança. Mas hoje eu pergunto: onde é que está a segurança?
Segundo o ministro, a situação reflete o enfraquecimento da situação dos EUA e da Europa:
- Espero que não continue esse agravamento, que ele cesse nos próximos dias. Mas, caso haja um agravamento da crise mundial, o Brasil nunca esteve tão bem preparado para enfrentar as consequências dessa crise, ou de uma nova crise.
Em 2008 e 2009, o governo adotou medidas de estímulo à economia em reação à crise global, com redução de impostos para setores da indústria e corte de compulsórios bancários (parcela dos depósitos de bancos que fica retida no Banco Central).
Agenda fraca Na Ásia, a bolsa de Tóquio fechou em tímida alta, com ganho de 0,23% do Nikkei 225. Em Hong Kong, o Hang Seng perdeu 0,49%.
Apesar da continuação da cautela dos agentes, esta jornada é mais esvaziada de indicadores. Nos Estados Unidos, único destaque do dia, o número de pedidos de seguro-desemprego recuou para 400 mil na semana terminada em 30 de julho, de acordo com o Departamento de Trabalho. Foram mil a menos que os 401 mil pedidos efetuados na semana imediatamente anterior. Economistas esperavam aumento em torno de 7 mil pedidos.
Na cena europeia, conforme o esperado, o Banco Central Europeu (BCE) deixou inalterada a taxa de juro da zona do euro em 1,5%. O presidente da instituição, Jean-Claude Trichet, deixou subentendido que continua em curso o programa de compra de títulos. O BCE também vai voltar a injetar liquidez nos mercados a partir do dia 9 deste mês, quando a instituição vai emprestar recursos aos bancos em operação extraordinária.
Como já era esperado, a taxa de juros na zona do euro não foi elevada diante da desaceleração da atividade economica que se propaga na região. O Banco Central Europeu (BCE) deixou inalterada a taxa de juro da zona do euro em 1,50%.
O Banco da Inglaterra também manteve a taxa de juro em 0,5%, em linha com as expectativas de muitos agentes financeiros, e decidiu conservar o programa de compra de ativos em 200 bilhões de libras.
As preocupações com a Itália e a Espanha se agravam. Analistas destacam que mesmo que o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF, na sigla em inglês) utilize todos os recursos de que dispõe para apoiar os dois países, só poderá gastar no máximo 340 bilhões de euros, volume insuficiente para socorrer a terceira e a quarta economias europeia.
No câmbio, o governo japonês resolveu intervir para conter a valorização do iene em relação ao dólar. Já o banco central da Turquia cortou, inesperadamente, sua taxa de juro para o menor nível da história para proteger a economia do impacto da crise da dívida europeia e da desaceleração do crescimento nos Estados Unidos. O governo turco pretende proteger sua moeda, a lira.
Já o dólar comercial terminou o pregão em alta de 1,15%, cotado a R$ 1,579 na compra e R$ 1,581 na venda, acompanhando a trajetória de valorização da moeda pelo mundo. Na máxima do pregão, a moeda chegou a avançar 1,40%.
O temor espalhou-se pelos mercados mundiais diante dos sinais de que a economia global, com os EUA à frente, recupera-se muito lentamente. Às 12h55, no pior momento do pregão desta quinta-feira, o Ibovespa chegou a 52.628 pontos, queda de 6,05%. No fechamento, entre os 92 principais índices de ações de todo o mundo, acompanhados pela Bloomberg, o Ibovespa foi o segundo pior, perdendo apenas para o Merval, da Bolsa de Buenos Aires, que caiu 6,01%.
Em Nova York o Dow Jones caiu 4,31%, o S&P 500 perdendo 4,78% e o Nasdaq recuou 5,08%. Foi a maior perda percentual desde fevereiro de 2009, segundo o "New York Times". Houve outros 17 dias desde o início de 2008 em que Wall Street terminou em queda de mais de 4% - 13 dias naquele ano e quatro em 2009. Na Europa, os principais índices, de Londres, Paris e Frankfurt, fecharam com queda superior a 3%. Em Milão, na Itália, o principal índice perdeu 5,16%.
Segundo especialistas, os sinais de lentidão da recuperação da economia americana e a crise das dívidas públicas na Europa puxaram também a queda das commodities, prejudicando ações de empresas com grande participação no Ibovespa, como Petrobras e Vale.
Segundo dados preliminares, as ações preferencias (PN, se direito a voto) da Petrobras caíram 7,35%, a R$ 21,99, enquanto as ordinárias (ON, com direito a voto) perderam 7%, a R$ 22,97. Os papéis PN da Vale recuaram 5,38%, a R$ 41,26 e os ON, 5,76%, a R$ 45,10. A maior queda do Ibovespa também está ligada às commodities: os papéis da MMX, mineradora controlada por Eike Batista, caíram R$ 16,07%, a R$ 6,11.
- Por causa do perfil de país emergente, considerado mais arriscado, o Brasil perde mais em dias de fuga generalizada - diz William Castro Alves, analista da XP Investimentos.
Além disso, os mecanismo de stop losses (ordens automáticas para vender ativos quando as perdas atingem níveis elevados), que aceleraram as perdas no pregão de quarta-feira, voltaram a atuar nesta quinta-feira.
Entre as 67 ações listadas no Ibovespa, cinco ativos chegaram a cair mais de 10%. As preferenciais da TAM derreteram 10,01%, a R$ 26,26, no auge das perdas, e só foram superadas pelas quedas das ordinárias da ALL (10,19%, a R$ 9,34), da Duratex (14,19%, a R$ 9,01) e das empresas do bilionário Eike Batista - LLX tombou 14,25%, a R$ 3,43, e MMX despencou 15,11%, a R$ 6,18.
Para o gestor de renda variável da Yield Capital, Hersz Ferman, a queda mais aguda no Ibovespa pode ser explicada também por uma visão negativa do investidor estrangeiro em relação ao Brasil. Outros especialistas, no entanto, acham que o efeito manada falou mais alto.
Assim como na quarta-feira, o pregão desta quinta-feira teve alto volume de negócios, com R$ 9,6 bilhões. Para alguns especialistas, isso pode indicar forte saída de investidores estrangeiros, embora os locais também tenham seguido o movimento.
Ontem, o Ibovespa já havia registrado desvalorização de 2,26%, aos 56.017 pontos, menor patamar desde 3 setembro de 2009.
Dólar volta à cotação de 11 de julho O dólar voltou à cotação de 11 de julho passado, quando o Banco Central (BC) anunciou uma nova redução do limite de posição vendida em câmbio no mercado à vista.
Segundo especialistas, investidores vendem ativos pelo mundo, em meio à turbulência dos mercados nesta quinta-feira, e buscam ativos de maior liquidez pelo mundo, como os títulos da dívida americana. Por isso, a moeda sobe.
O dólar americano também se valoriza frente a moedas dos mais variados países como rand sul-africano (3,29%), coroa sueca ( 2,95%), euro ( 1,39%) e libra esterlina (0,97%). Após o Banco Central da Suíça adotar medidas na última quarta-feira para controlar a valorização do franco, o dólar registra uma desvalorização de 0,38% no país, na contramão dos mercados mundiais.
Por aqui, o BC realizou dois leilões de compra da moeda no mercado à vista, no início e no fim da tarde desta quinta-feira.
LEIA MAIS: Bolsas mundiais perderam US$ 2,6 trilhões em 6 dias
'Pneumonia crônica' A presidente Dilma Rousseff mostrou preocupação com o cenário internacional e avaliou que a situação está se deteriorando.
- A situação agora não é mais de uma gripe, mas de pneumonia crônica - disse ela, segundo relato do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical, que participou nesta quinta-feira de uma reunião no Palácio do Planalto, com a presença da presidente, sobre o plano Brasil Maior, lançado pelo governo na terça-feira para incentivar a industrialização brasileira.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o Brasil sofrerá as consequências da turbulência global, mas está preparado. Ele acrescentou que os mecanismos que o governo adotou em reação à crise de 2008 "poderão ser implantados a qualquer momento" se for necessário:
- Temos que ficar alerta, olhando as consequências. É claro que sempre haverá consequências, mesmo o Brasil estando preparado. Sempre há, por exemplo, queda de bolsa, pode haver queda de comércio, um pouco de queda de crédito, mas o Brasil enfrentará com um mínimo de danos à economia uma nova crise.
O ministro disse não crer em um overshooting (disparada) do dólar:
- Não sabemos qual é a reação do mercado. Porque no passado a gente sabia, era a fuga para a segurança. Mas hoje eu pergunto: onde é que está a segurança?
Segundo o ministro, a situação reflete o enfraquecimento da situação dos EUA e da Europa:
- Espero que não continue esse agravamento, que ele cesse nos próximos dias. Mas, caso haja um agravamento da crise mundial, o Brasil nunca esteve tão bem preparado para enfrentar as consequências dessa crise, ou de uma nova crise.
Em 2008 e 2009, o governo adotou medidas de estímulo à economia em reação à crise global, com redução de impostos para setores da indústria e corte de compulsórios bancários (parcela dos depósitos de bancos que fica retida no Banco Central).
Agenda fraca Na Ásia, a bolsa de Tóquio fechou em tímida alta, com ganho de 0,23% do Nikkei 225. Em Hong Kong, o Hang Seng perdeu 0,49%.
Apesar da continuação da cautela dos agentes, esta jornada é mais esvaziada de indicadores. Nos Estados Unidos, único destaque do dia, o número de pedidos de seguro-desemprego recuou para 400 mil na semana terminada em 30 de julho, de acordo com o Departamento de Trabalho. Foram mil a menos que os 401 mil pedidos efetuados na semana imediatamente anterior. Economistas esperavam aumento em torno de 7 mil pedidos.
Na cena europeia, conforme o esperado, o Banco Central Europeu (BCE) deixou inalterada a taxa de juro da zona do euro em 1,5%. O presidente da instituição, Jean-Claude Trichet, deixou subentendido que continua em curso o programa de compra de títulos. O BCE também vai voltar a injetar liquidez nos mercados a partir do dia 9 deste mês, quando a instituição vai emprestar recursos aos bancos em operação extraordinária.
Como já era esperado, a taxa de juros na zona do euro não foi elevada diante da desaceleração da atividade economica que se propaga na região. O Banco Central Europeu (BCE) deixou inalterada a taxa de juro da zona do euro em 1,50%.
O Banco da Inglaterra também manteve a taxa de juro em 0,5%, em linha com as expectativas de muitos agentes financeiros, e decidiu conservar o programa de compra de ativos em 200 bilhões de libras.
As preocupações com a Itália e a Espanha se agravam. Analistas destacam que mesmo que o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF, na sigla em inglês) utilize todos os recursos de que dispõe para apoiar os dois países, só poderá gastar no máximo 340 bilhões de euros, volume insuficiente para socorrer a terceira e a quarta economias europeia.
No câmbio, o governo japonês resolveu intervir para conter a valorização do iene em relação ao dólar. Já o banco central da Turquia cortou, inesperadamente, sua taxa de juro para o menor nível da história para proteger a economia do impacto da crise da dívida europeia e da desaceleração do crescimento nos Estados Unidos. O governo turco pretende proteger sua moeda, a lira.