quinta-feira, 4 de agosto de 2011

Bovespa desaba 5,72%, a maior queda desde novembro de 2008. Dólar fecha em alta de 1,15%

RIO, SÃO PAULO e BRASÍLIA - Reagindo ao pânico e à queda generalizada nos mercados internacionais, a Bolsa de Valores de São Paulo (Bovespa) fechou nesta quinta-feira com queda 5,72%, aos 52.811 pontos. Foi a pior baixa desde 21 de novembro de 2008, quando o mundo passava pelo momento mais agudo da crise originada no mercado imobiliário americano seguida da quebra do banco americano Lehman Brothers e o Ibovespa caiu 6,45%.
Já o dólar comercial terminou o pregão em alta de 1,15%, cotado a R$ 1,579 na compra e R$ 1,581 na venda, acompanhando a trajetória de valorização da moeda pelo mundo. Na máxima do pregão, a moeda chegou a avançar 1,40%.
O temor espalhou-se pelos mercados mundiais diante dos sinais de que a economia global, com os EUA à frente, recupera-se muito lentamente. Às 12h55, no pior momento do pregão desta quinta-feira, o Ibovespa chegou a 52.628 pontos, queda de 6,05%. No fechamento, entre os 92 principais índices de ações de todo o mundo, acompanhados pela Bloomberg, o Ibovespa foi o segundo pior, perdendo apenas para o Merval, da Bolsa de Buenos Aires, que caiu 6,01%.
Em Nova York o Dow Jones caiu 4,31%, o S&P 500 perdendo 4,78% e o Nasdaq recuou 5,08%. Foi a maior perda percentual desde fevereiro de 2009, segundo o "New York Times". Houve outros 17 dias desde o início de 2008 em que Wall Street terminou em queda de mais de 4% - 13 dias naquele ano e quatro em 2009. Na Europa, os principais índices, de Londres, Paris e Frankfurt, fecharam com queda superior a 3%. Em Milão, na Itália, o principal índice perdeu 5,16%.
Segundo especialistas, os sinais de lentidão da recuperação da economia americana e a crise das dívidas públicas na Europa puxaram também a queda das commodities, prejudicando ações de empresas com grande participação no Ibovespa, como Petrobras e Vale.
Segundo dados preliminares, as ações preferencias (PN, se direito a voto) da Petrobras caíram 7,35%, a R$ 21,99, enquanto as ordinárias (ON, com direito a voto) perderam 7%, a R$ 22,97. Os papéis PN da Vale recuaram 5,38%, a R$ 41,26 e os ON, 5,76%, a R$ 45,10. A maior queda do Ibovespa também está ligada às commodities: os papéis da MMX, mineradora controlada por Eike Batista, caíram R$ 16,07%, a R$ 6,11.
- Por causa do perfil de país emergente, considerado mais arriscado, o Brasil perde mais em dias de fuga generalizada - diz William Castro Alves, analista da XP Investimentos.
Além disso, os mecanismo de stop losses (ordens automáticas para vender ativos quando as perdas atingem níveis elevados), que aceleraram as perdas no pregão de quarta-feira, voltaram a atuar nesta quinta-feira.
Entre as 67 ações listadas no Ibovespa, cinco ativos chegaram a cair mais de 10%. As preferenciais da TAM derreteram 10,01%, a R$ 26,26, no auge das perdas, e só foram superadas pelas quedas das ordinárias da ALL (10,19%, a R$ 9,34), da Duratex (14,19%, a R$ 9,01) e das empresas do bilionário Eike Batista - LLX tombou 14,25%, a R$ 3,43, e MMX despencou 15,11%, a R$ 6,18.
Para o gestor de renda variável da Yield Capital, Hersz Ferman, a queda mais aguda no Ibovespa pode ser explicada também por uma visão negativa do investidor estrangeiro em relação ao Brasil. Outros especialistas, no entanto, acham que o efeito manada falou mais alto.
Assim como na quarta-feira, o pregão desta quinta-feira teve alto volume de negócios, com R$ 9,6 bilhões. Para alguns especialistas, isso pode indicar forte saída de investidores estrangeiros, embora os locais também tenham seguido o movimento.
Ontem, o Ibovespa já havia registrado desvalorização de 2,26%, aos 56.017 pontos, menor patamar desde 3 setembro de 2009.
Dólar volta à cotação de 11 de julho O dólar voltou à cotação de 11 de julho passado, quando o Banco Central (BC) anunciou uma nova redução do limite de posição vendida em câmbio no mercado à vista.
Segundo especialistas, investidores vendem ativos pelo mundo, em meio à turbulência dos mercados nesta quinta-feira, e buscam ativos de maior liquidez pelo mundo, como os títulos da dívida americana. Por isso, a moeda sobe.
O dólar americano também se valoriza frente a moedas dos mais variados países como rand sul-africano (3,29%), coroa sueca ( 2,95%), euro ( 1,39%) e libra esterlina (0,97%). Após o Banco Central da Suíça adotar medidas na última quarta-feira para controlar a valorização do franco, o dólar registra uma desvalorização de 0,38% no país, na contramão dos mercados mundiais.
Por aqui, o BC realizou dois leilões de compra da moeda no mercado à vista, no início e no fim da tarde desta quinta-feira.
LEIA MAIS: Bolsas mundiais perderam US$ 2,6 trilhões em 6 dias
'Pneumonia crônica' A presidente Dilma Rousseff mostrou preocupação com o cenário internacional e avaliou que a situação está se deteriorando.
- A situação agora não é mais de uma gripe, mas de pneumonia crônica - disse ela, segundo relato do deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical, que participou nesta quinta-feira de uma reunião no Palácio do Planalto, com a presença da presidente, sobre o plano Brasil Maior, lançado pelo governo na terça-feira para incentivar a industrialização brasileira.
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse que o Brasil sofrerá as consequências da turbulência global, mas está preparado. Ele acrescentou que os mecanismos que o governo adotou em reação à crise de 2008 "poderão ser implantados a qualquer momento" se for necessário:
- Temos que ficar alerta, olhando as consequências. É claro que sempre haverá consequências, mesmo o Brasil estando preparado. Sempre há, por exemplo, queda de bolsa, pode haver queda de comércio, um pouco de queda de crédito, mas o Brasil enfrentará com um mínimo de danos à economia uma nova crise.
O ministro disse não crer em um overshooting (disparada) do dólar:
- Não sabemos qual é a reação do mercado. Porque no passado a gente sabia, era a fuga para a segurança. Mas hoje eu pergunto: onde é que está a segurança?
Segundo o ministro, a situação reflete o enfraquecimento da situação dos EUA e da Europa:
- Espero que não continue esse agravamento, que ele cesse nos próximos dias. Mas, caso haja um agravamento da crise mundial, o Brasil nunca esteve tão bem preparado para enfrentar as consequências dessa crise, ou de uma nova crise.
Em 2008 e 2009, o governo adotou medidas de estímulo à economia em reação à crise global, com redução de impostos para setores da indústria e corte de compulsórios bancários (parcela dos depósitos de bancos que fica retida no Banco Central).
Agenda fraca Na Ásia, a bolsa de Tóquio fechou em tímida alta, com ganho de 0,23% do Nikkei 225. Em Hong Kong, o Hang Seng perdeu 0,49%.
Apesar da continuação da cautela dos agentes, esta jornada é mais esvaziada de indicadores. Nos Estados Unidos, único destaque do dia, o número de pedidos de seguro-desemprego recuou para 400 mil na semana terminada em 30 de julho, de acordo com o Departamento de Trabalho. Foram mil a menos que os 401 mil pedidos efetuados na semana imediatamente anterior. Economistas esperavam aumento em torno de 7 mil pedidos.
Na cena europeia, conforme o esperado, o Banco Central Europeu (BCE) deixou inalterada a taxa de juro da zona do euro em 1,5%. O presidente da instituição, Jean-Claude Trichet, deixou subentendido que continua em curso o programa de compra de títulos. O BCE também vai voltar a injetar liquidez nos mercados a partir do dia 9 deste mês, quando a instituição vai emprestar recursos aos bancos em operação extraordinária.
Como já era esperado, a taxa de juros na zona do euro não foi elevada diante da desaceleração da atividade economica que se propaga na região. O Banco Central Europeu (BCE) deixou inalterada a taxa de juro da zona do euro em 1,50%.
O Banco da Inglaterra também manteve a taxa de juro em 0,5%, em linha com as expectativas de muitos agentes financeiros, e decidiu conservar o programa de compra de ativos em 200 bilhões de libras.
As preocupações com a Itália e a Espanha se agravam. Analistas destacam que mesmo que o Fundo Europeu de Estabilidade Financeira (EFSF, na sigla em inglês) utilize todos os recursos de que dispõe para apoiar os dois países, só poderá gastar no máximo 340 bilhões de euros, volume insuficiente para socorrer a terceira e a quarta economias europeia.
No câmbio, o governo japonês resolveu intervir para conter a valorização do iene em relação ao dólar. Já o banco central da Turquia cortou, inesperadamente, sua taxa de juro para o menor nível da história para proteger a economia do impacto da crise da dívida europeia e da desaceleração do crescimento nos Estados Unidos. O governo turco pretende proteger sua moeda, a lira.

Dilma aceita pedido de demissão de Jobim e Celso Amorim é o novo ministro da Defesa.

BRASÍLIA - Em sete meses de governo, a presidente Dilma Rousseff demitiu nesta quinta-feira o terceiro ministro, todos indicados pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Foram três demissões em apenas dois meses. Depois de Antonio Palocci (Casa Civil) e Alfredo Nascimento (Transportes), foi a vez de Nelson Jobim deixar o Ministério da Defesa. O PMDB, partido de Jobim, tentou ficar com o posto, mas Dilma escolheu outro ex-ministro de Lula, o embaixador aposentado Celso Amorim, que foi chanceler de 2003 a 2010.
Jobim perdeu o cargo depois de várias provocações à presidente, com quem nunca teve uma relação próxima. Sua saída foi decidida por Dilma ainda na noite de quarta-feira, quando ela soube do teor das declarações de Jobim à revista "Piauí" .
ENQUETE: Maioria dos leitores do GLOBO é a favor da saída de Nelson Jobim


DECLARAÇÕES: Relembre algumas falas polêmicas do ex-ministro Nelson Jobim


VÍDEO: Permanência de Jobim na Defesa ficou insustentável
Nos últimos dez dias, o ministro provocou polêmicas no governo, culminando com a revelação, à "Piauí", de um diálogo com a presidente sobre a contratação do ex-deputado petista José Genoino para a assessoria do Ministério da Defesa e também do que pensa sobre as ministras Ideli Salvatti - "bem fraquinha" - e Gleisi Hoffmann - "nem conhece Brasília". No caso de Genoino, Jobim contou à revista que, quando Dilma lhe perguntou se ele seria útil como assessor na Defesa, teria respondido: "Presidente, quem sabe se ele pode ser útil ou não sou eu". Para Dilma, isso foi a gota d'água.
Jobim entregou a carta de demissão à presidente pouco depois das 20h, 15 minutos após desembarcar na Base Aérea de Brasília, num encontro rápido e frio no Palácio do Planalto que durou cerca de cinco minutos. Ele estava em Tabatinga (AM) quando recebeu um telefonema de Dilma, depois do almoço. Ele só voltaria a Brasília no fim da noite, mas ela pediu que ele antecipasse o retorno, pois não queria protelar a exoneração.
Para militares, insubordinação
O anúncio oficial da demissão de Jobim foi feito pela ministra da Secretaria de Comunicação Social, Helena Chagas, por volta de 20h15m. Ela também disse que Dilma havia convidado Amorim para o cargo. Amorim é o segundo diplomata a ocupar o Ministério da Defesa e chegou a ser citado para o cargo em outras crises na pasta. O embaixador José Viegas foi o primeiro ministro da Defesa de Lula, depois substituído pelo então vice José Alencar.
Da área militar, a presidente Dilma recebeu sinalizações, logo cedo, de que, apesar da atuação de Jobim no Ministério da Defesa, os comandantes não concordavam com o "comportamento de insubordinação" do ministro em relação à comandante-em-chefe das Forças Armadas.
A presidente foi rápida na substituição de Jobim porque já tinha tomado a decisão de tirá-lo do posto desde que ele explicitou, em entrevista ao portal UOL, que tinha votado no tucano José Serra, no ano passado. Dilma tinha conhecimento disso, mas considerou deselegante e inoportuno ele confessar publicamente o voto em Serra. E ainda acrescentar que, se o tucano fosse o presidente, faria a mesma faxina que Dilma fez nos Transportes.
A saída de Jobim já era dada como certa pela classe política desde as primeiras horas do dia. Tanto adversários como amigos do peemedebista diziam que ele havia extrapolado e perdido as condições de continuar no cargo. Já a escolha de Celso Amorim para a Defesa dividiu opiniões entre políticos governistas e de oposição.
- Achei a escolha brilhante. Um nome muito preparado, uma solução muito boa. É um diplomata com grande experiência governamental, ficou oito anos no Ministério de Relações Exteriores e tem grande afinidade com Lula - disse Paulo Teixeira (SP), líder do PT na Câmara.
O líder do PMDB, deputado Henrique Eduardo Alves (RN), também elogiou a escolha de Amorim:
- É uma bela escolha da presidente Dilma. Ótima escolha.
Já o líder do DEM no Senado, Demóstenes Torres (GO), avaliou como temerária a ida de Amorim para um cargo estratégico como a Defesa, por seu viés esquerdista e sua política de aproximação com ditaduras, como a do Irã. Disse que Jobim era de competência incontestável e disciplinou as Forças Armadas.
- Jobim foi trocado por um fanático esquerdista. Isso é um perigo na Defesa pelo seu passado de aproximação com ditaduras e suas ligações com Cuba e Venezuela. Muito mais que uma crítica, vejo a solução como extremamente temerária para um cargo estratégico de defesa nacional. Só falta o Amorim levar o Marco Aurélio Garcia e o Samuel Pinheiro Guimarães. Acho que será um desastre! - comentou Demóstenes.
Mesma preocupação foi manifestada pelo líder do PSDB na Câmara, Duarte Nogueira (SP):
- Espero que ele (Celso Amorim) não deixe se contaminar com o viés político-ideológico, o que muita vezes ocorreu no Ministério das Relações Exteriores. Gostaria de lamentar a saída de Jobim, com um currículo extremamente qualificado.
- Essa é uma colocação totalmente descabida! Qualquer que fosse o ministro iria executar a política da presidente Dilma. A política externa implementada por Amorim não tinha viés ideológico. É um nome muito adequado para o cargo - retrucou o líder do PT no Senado, Humberto Costa (PE).
Antes mesmo da oficialização da demissão de Jobim, já havia se estabelecido uma acirrada disputa entre petistas e peemedebistas pelo comando do Ministério da Defesa - nenhuma das partes ganhou. A lista de candidatos citados ao longo do dia tinha quase uma dezena de nomes: o ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo; o vice-presidente Michel Temer; o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP); o ministro Moreira Franco, que o PMDB tentou emplacar; e até o ex-ministro do Supremo Sepúlveda Pertence, que era visto como uma solução institucional. O nome de Celso Amorim também entrou nessa lista, mas com algumas ressalvas de que ele teria resistência junto às Forças Armadas.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Dólar fecha pregão em alta nesta segunda-feira

Moeda subiu 0,63%, cotada a R$ 1,560 na venda.
Na sexta-feira, dólar fechou a R$ 1,551, em baixa de 1,15%.


O dólar comercial fechou em alta nesta segunda-feira (1), acompanhando a reação do mercado global a dados piores do que o esperado nos Estados Unidos. A moeda norte-americana subiu 0,63%, cotada a R$ 1,5607 na venda.
Na sexta-feira, o dólar tinha fechado em queda, vendido a R$ 1,551, em baixa de 1,15%.
A moeda abriu o pregão em queda, mas passou a cair após a divulgação de dados atividade industrial nos EUA.

Câmara dos EUA aprova plano para elevar teto da dívida

Plano ainda precisa ser aprovado no Senado e sancionado por Obama.
País pode ficar sem dinheiro para honrar dívidas.



Na véspera do prazo final para que os Estados Unidos elevem seu limite de endividamento, a Câmara dos Representantes finalmente aprovou, nesta segunda-feira (1º), o plano bipartidário formulado pelos líderes do Congresso. Foram 269 votos a favor e 161 contra. Para entrar em vigor, o acordo ainda precisa ser aprovado pelo Senado e sancionado pelo presidente Barack Obama.
O processo para que republicanos e democratas conseguissem fechar um acordo foi “bagunçado e levou muito tempo”, nas palavras do próprio presidente Barack Obama. Na noite do último domingo, Obama fez um pronunciamento para dizer que os líderes dos dois partidos haviam chegado a um acordo para elevar o limite da dívida dos Estados Unidos e evitar um default (termo técnico para “calote”).
O plano deve ser votado pelo Senado próximo do meio-dia (às 13h no Brasil) da terça-feira (2), segundo o líder da maioria democrata na Casa, Harry Reid. A expectativa é que o plano, negociado por Obama, seja aprovado no Senado, onde o partido Democrata tem maioria.
A primeira parte do acordo vai cortar cerca de US$ 1 trilhão nos próximos dez anos, segundo explicou Obama durante pronunciamento feito no domingo.